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Elas são pequenas, artesanais. E muito lucrativas
Microcervejarias, como a Eisenbahn, abrem o paladar o consumidor para novos sabores.
As cervejarias artesanais e regionais estão ganhando mercado enquanto, numa acirrada disputa, AmBev, Schincariol e Kaiser se digladiam para manter a fatia de 80% das vendas anuais no País. Como esses pequenos produtores mais do que dobraram de tamanho nos últimos cinco anos, saltando de menos de 6% para os atuais 20%, eles começam a incomodar. Afinal, cada ponto porcentual desse mercado vale R$ 100 milhões.
E qual o segredo das pequenas cervejarias? O mestre cervejeiro Gerhard Beutling, um alemão de 53 anos, que nos anos 70 ingressou nos quadros da Brahma e então adotou o Brasil como residência, divide essas cervejarias em dois grupos. O primeiro reúne marcas regionais, como a paraense Cerpa, que oferece ao consumidor um produto pilsen nos moldes das três líderes com diferencial de preço e embalagem. Nesse grupo, figuram ainda Cintra, Malta, Itaipava e Crystal. Juntas, as marcas regionais têm uma fatia de 16% do mercado.
 Gerhard Beutling, da Eisbahn, tem orgulho de usar a lei de pureza alemã
Já o outro grupo, que movimenta cerca de 4% do mercado, ou R$ 400 milhões, é bem menor, porém sofisticado. São as marcas artesanais, onde figuram predominantemente a Eisenbahn, a Baden-Baden, a Universitária e a Germânia. O Mestre cervejeiro formado nas melhores escolas alemãs, e que hoje comanda a cozinha e a produção da Eisenbahn, no Sul, orgulha-se de produzir hoje uma cerveja feita de acordo com o certificado de pureza decretado na Alemanha em 1516. Este certificado proíbe o uso de conservantes e certifica apenas bebidas feitas com puros grãos, sem aditivos, mesmo que pasteurizados, para a venda em garrafas.
São essas cervejas artesanais que estão abrindo o paladar do brasileiro para algo mais que uma pilsen.As grandes cervejarias, porém, estão atentas. Tanto que aAmBev lançou a Bohemia Weiss, de trigo, e estuda o lançamento da Bohemia Ale, a cerveja mais encorpada e de sabor âmbar preferida dos ingleses. A Schincariol também não quer ficar de fora e estuda o lançamento de uma cerveja de trigo. Já a Molson reforça a Bavaria Premium, com a qual quer conquistar consumidores mais sofisticados, inclusive no exterior.
O grande desafio para as pequenas é manter a qualidade e, ao mesmo tempo, ganhar escala. “Uma cerveja artesanal como a Eisenbahn ganha mercado pela qualidade”, diz o mestre cervejeiro, alegando que, por esse motivo, é difícil ganhar escala. A Baden-Baden que, como a Eisenbahn, é vendida em empórios e supermercados sofisticados, enfrenta o mesmo problema, especialmente nesta época do ano em que a primeira atrai visitantes a Campos do Jordão, e estes tomam gosto pela marca. É um requinte para poucos. (C.F.) Fonte : Jornal Estado de São Paulo - 11/07/2004.

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