|
Se Beber, Não Dirija : Passeie
ROTA DA CERVEJA Você pode percorrer o estado e visitar as cervejarias de carro, o que é mais prático (mas requer mais cuidado), ou de ônibus - o que é mais truncado, porém permite desfrutar melhor das atrações turísticas locais e conhecer o cotidiano das cidades catarinenses
(R.F.) É possível conhecer as cervejarias catarinenses de ônibus ou de carro. No primeiro caso, vá munido de paciência: às vezes, parece haver paradas de 100 em 100 metros. Mas vale se você gosta de apreciar paisagens e peculiaridades locais - o sotaque que transforma dois "erres" em um, pessoas que embarcam com trajes típicos ou o aroma das laranjas vindas do campo. Ou se entreter com observações do cotidiano do tipo "por que todo mundo usa boné numa cidade e na outra não?"
O carro, porém, é mais vantajoso para ir a atrações distantes, como as colônias italiana e austríaca em Treze Tílias; conhecer as comidas típicas em Timbó; as casas "enxaimel, tipicamente alemãs", em Indaial; e o curioso museu Pomerano, que reúne pertences das primeiras famílias alemãs da região, em Pomerode. Muito do que há para ser visto, porém, está ao alcance de uma caminhada. Em alguns casos, a diversão pode ser sorvida junto com as cervejas.
Em Timbó, o restaurante Thapyoka, que vende a Borck, fica ao lado da represa do Rio Benedito, construída em 1880. A vista também inclui uma figueira centenária e uma roda de moinho. O próprio restaurante tem uma casa em estilo enxaimel - com madeira e tijolos. Em Treze Tílias, deguste a Bierbaum no restaurante do Parque Lindendorf, à beira de um lago. E não deixe de provar o delicioso apfelstrudel da casa. Já em Pomerode, a Schornstein fica ao lado do zoológico, bom lugar para matar o tempo e relaxar após a degustação, inspirado pela soneca dos ursos.
Mesmo as fábricas de cerveja têm seus aspectos curiosos. A Borck fica no mesmo prédio de uma unidade de saúde municipal. "E já tivemos uma igreja no andar de cima. Só faltou a funerária", brinca Brunhard Borck, o proprietário.
Mas o local mais pitoresco é a Cervejaria Canoinhense. A princípio, o visual pode assustar os desprevenidos. Quem chega dá de cara com aves e macacos empalhados na parede; estes últimos estão em poses pouco convencionais, "assaltando", tocando viola ou tomando chimarrão. Em cima da geladeira, estão potes com cobras em formol. Faz parte do clima. Não deixe de conversar com o dono, Rupprecht Loeffler, de 89 anos, e pergunte a história de cada cerveja. A Jahú, por exemplo, foi homenagem à travessia do Oceano Atlântico, por João Ribeiro de Barros, em 1927. Prove também a gengibirra, refrigerante de gengibre, vendida por ele; chega a "esquentar" a garganta.
Por fim, duas sugestões de leitura, para se entreter na viagem e reforçar o repertório sobre o tema: Big Book O Beer (Chronicle Books) e O Catecismo da Cerveja (Senac SP). Fonte : Jornal Estado de São Paulo – 13/09/06

|